sexta-feira, 7 de julho de 2017

Do inverno

Manhã de inverno. Cidade vazia. Vento gélido.
O sol, fazendo seu esforço.
Nas ruas, todo lixo do dia anterior, que passavam em redemoinhos.
Das pessoas; somente o rastro - o silêncio - as almas presas.
Em algumas horas, serão ouvidos os primeiros passos,
os motores e buzinas dos carros, ônibus e trens amontoando gente... a vida frenética;
Algumas almas, ainda presas no calabouço de sua vontade(...) É sempre assim em qualquer estação!


terça-feira, 4 de julho de 2017

UMA NOITE DE FUGA

      Nas mãos, uma garrafa de vinho barato; a taça de cristal e páginas de um jornal ainda proveitoso; o pensamento totalmente ileso das malezas da vida; respiração controlada e os músculos relaxados; os óculos para leitura limpos; lá fora, o silêncio apresentava-se como se fosse um convidado muito esperado; no céu, estrelas multiplicando-se envolta da lua – a mesma lua que já não o surpreendera, mas... com sua beleza costumeira.

      Na verdade, ele não gostara de restaurantes com pratos caros de nomes confusos e água francesa – preferira um queijo quente duma padaria da esquina muito frequentada, entretanto, na companhia de poucos, mas bons amigos.

      Era madrugada de sábado, nada mais lhe restara, a não ser a parceria das ideias maravilhosas – negócios foram fechados, chefes repelidos, um novo carro comprado, os erros avaliados e velhos amores recordados e inventados; todos, imune a questionamentos... somente os lêmures observavam. 

        – Ah! Como é erudito o só! – pensara ele.

      Depois de algumas horas, lá no fundo, pondo-se a cochilar; vozes se despiam quase imperceptíveis e, ele, então, percebera a fuga do silêncio; tudo era gargalhada, com os saltos nas mãos e os cabelos já soltos, elas, abriram a porta da frente e invadiram seu bixeiro.

      Naquele instante não esbravecera, pois teve seu tempo necessário, e agora, voltaram suas duas outras partes.

      - Como foi o jantar?
      - Ótimo! Faltou você querido!
      - Boa noite papai!
      - Boa noite meu anjo, durma bem!
      - Te espero na cama, querido!

      As vozes se foram pelas escadas; com o frio da noite, a lua e as estrelas cobriram-se de nuvens; o silencio escondeu-se; e os fantasmas - assustados com o barulho mortificador; faleceram, novamente.

Os degraus testemunharam...
   
      

Algumas perdidas linhas encontradas

Poderia ser sobre política e humanidade;
aproveitando o momento
e, quem sabe
colocar para fora toda minha indignação (...).
No entanto
paradoxalmente ou não
resolvi contrariar o tópico frasal
daqueles que regras seguem:

ainda bem que são folhas
pior seria se fossem estilhaços de bomba.
para que servem as cândidas faixas das ruas
se não as utilizamos?
os jardins têm vida e morte –
e toda árvore oferece sua sombra a quem necessita.
para que as gravatas nas gaivotas?
olhai os lixos nos campos
nos cantos
ninguém liga
ninguém sabe
ninguém viu
bitucas descartadas nas ruas
são o mau hálito das cidades.

o perfume é uma forma de mensagem.
deixe-nos amar
sem que recebamos necessariamente
o amor desejado –
é como um organismo
que cria anticorpos

é tão bom falar de amor
sem apelar para o desespero.
sim, a vida cria conflitos de interesse –
é como empresa e mercado
e por falar em mercado
o cliente não é mais o rei
ele regrediu
deixou de pensar autônomo
aceitou os reflexos
pasmem!...ainda existem corporações com muralhas internas –
ainda existe o desejo de ser apenas “chefe encapotado”
nada mais, e assim, dispor de autoridade estatutária

não basta transmitir conhecimento
se nem todos sabem tudo –
nasceu pobre
ainda é pobre
e assim vai ficar (...?)

tensões e acomodações
andam de mãos dadas
há coisas que se perdem pelo caminho –
deixadas são anuladas
resgatá-las, têm seu risco
o ímpeto, é como um artefato
criado pelo homem
ou veio com a vida?
envelhecer com saúde
tem a ver com as decisões que tomamos na vida?
que tal dormir entre sete e nove horas por dia?!
não é só saber ler
mas ter a pratica efetiva –
ler para dialogar com a imaginação
com o mundo –
estimular as células
que insistem

e sobrevivem 

Liberdade assistida

  A tia exibida do meu amigo João, disse que antes, tudo era bom! Ela tinha uma viril empregada chamada Maria, filha de dona Jandira, dom...