Ontem, comprei um cavalo alado. Estava em liquidação. Não
sei se a aposta no quadrupede voador foi de longe a mais insana ou, porque as
pessoas estão deixando as utopias de lado. A vendedora, muito simpática por
sinal, mostrou-me os funcionamentos básicos, alertando também da segurança – e
de não utilizar sela em hipótese alguma – tentativa essa, que poderia irritar o
fantástico animal.
Cheguei em frente a minha casa com o robusto alazão.
Amarrei-o próximo ao portão. Deixei ao menos uns três metros de corda para que
o corcel pudesse exercitar suas asas. Abri a porta. Não contendo minha
ansiedade fui tratando de dizer diretamente qual era a surpresa
-“ Atenção família, comprei um lindo cavalo alado para nós,
ele está no por…” mal consegui terminar a frase ensaiada para o momento,
percebi que não havia ninguém em casa. Entrei em todos os cômodos e não
encontrei sequer um alma para apreciar minha aquisição(…)
Na mesa de centro, havia um bilhete:
- “ Querido, fomos ao sítio da tia Amélia. Saudades da
natureza, dos bichos e principalmente, de andar de charrete. Não se preocupe,
voltaremos antes do anoitecer!”
PS: Te amamos.