sábado, 19 de dezembro de 2020

usando verbo e tritura-cabeças moderno

 Juntos há muito tempo
entre vindas e idas
como se fosse banda envelhecida
nem tanto pela idade
- era rotina administrativa
disse a terapeuta de duas coisas iguais
tentativa tantas foram
oxalá, como tentaram
as conversas desencontradas e o sexo:
destituído
empregos, também exonerados, despedidos...
tudo tão claro
feito luz em corredores de hospitais 
e sois em contraste com areia branca
uma fotofobia
Caótico mundo regional
de uma só rua, aparentemente
Os anos não mais contados
e sim
expurgados 
do álbum
das memórias, em geral
...
foi quando, numa noite casual
da descrença habitual
tentaram, pela milésima nova vez
uma lubricidade de amor, como dever e deveriam
então, sobreveio o inédito, a ruptura das desventuras
do que apresentava-se como punição de vida
O contentamento chegou para ambos
gratificação pelos tempos esquisitos
de desagrado total
...
A madrugada e os anos mais, escorreram como águas límpidas
árvores frutíferas
então...
O amanhecer que prometia nova idade
recusou-se
no início da manhã:
souberam da notícia
a progênita e única, falecera
no início da madrugada fértil
não tão generosa assim
...
Vida infértil que exigiu contrapeso
ou  fado carregado?
...
Juntos há muito tempo

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

para não esquecer que pisamos nas flores

 
Imagina uma guerra civil - confronto armado; toda aquela nossa paz tropical, de um pais supostamente abençoado' sendo desmascarado; nosso título de povo amistoso, devolvido; imagina os endinheirados e os desesperados fugindo por mar aborrecido e terras empoeiradas; uma amplitude do desalento e da fome que muitos sentem; imagina o sequestro da liberdade metida e mentida com suas máscaras; imagina nós, brasileiros, em ruínas: repartindo pão, um pedaço de teto, dividindo a palavra saudades com outras nações, longe das jabuticabas e dos carnavais... imaginem só, antes do ato(...)

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

parecidos

cavaleiro que prometeu ser cavalheiro
não aprendeu nada, e depois de tê-la, apreendeu
pois, o comprimento de suas calças não valeu
cumprimentar seu pai
que repetira, de seu avô...

dos homônimos

chego cedo
para não ceder lugar
sou sim caminho para o egoísmo
eu, tu, ele, nós, vós, eles
pessoais e pessoas


título nenhum, pouco importa

Acender o assento
para que ninguém possa ascender
pois então, cassaram meu cheque
não há conserto que repare
vamos cerrar agora
antes que o fogo tome minha cela

domingo, 25 de outubro de 2020

terça-feira, 20 de outubro de 2020

bem-estar

Queria ser um poeta
ser uma obra
quem sabe uma música;
uma escultura
uma tela, que mesmo imóvel, presa na inépcia
traga a placidez momentânea 
Queria eu, não ter as culpas 
não agredir o tempo
Agora...
pelo presente: passo a querer
e trago do passado, apenas o tirocínio
dos feitos e suas mensagens; do que vi passar
dos que me guiaram
hão de querer, o futuro desvendar
Imperioso?
Afirmação?! 
Ambiguidade?
Vale-me o que desejo;
com a seiva do corpo
olhos que sabem sorrir
longe do isolamento
e, perto o bastante, da vontade! 

sábado, 17 de outubro de 2020

Preliminar... 
Não fique surpresa se eu preferir sentar-me a poltrona; apenas para admirar - até que suas mãos se cansem e você me carregue com seus olhos em delírio... 
 

"Seus saltos a deixam vibrante; é como uma transformação diária que anseio; um caminho a lubricidade"

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Arte da espera

Por cima dos ombros, mexe nos cabelos e separa as pontas duplas; tira, e ajusta a presilha; prendendo-os em seguida. Solta e volta a separar as pontas. Olha para as unhas e empurra as cutículas; gira os anéis. Pausa. Separa as mãos e sobe para os brincos, apertando-os com as pontas dos dedos. Volta aos anéis e imagina que poderia comprar mais um ou, dois... retorna as pontas e desfaz alguns fios. Balança os pés e observa os saltos da sandália. Alonga o pescoço. Guarda a presilha e substitui por um elástico. Prende os cabelos e logo em seguida, solta-os. Brinca com o elástico nas mãos e, como se fosse uma primeira vez, amarra-os. Esquiva-se dos olhares. Puxa a blusa. Estala os dedos. Mantem a postura. Massageia a nuca. Meche nas pulseiras. Dobra as pernas. Olha para o relógio e depois para a bolsa; vasculha todos os cantos; quem sabe um chocolate. Nada feito. Contenta-se com um chiclete. Com o polegar e o indicador ao mesmo tempo, desliza-os sobre os lábios. De novo aos cabelos; solta-os, e escorre com os dedos entre eles; une-os em forma de rabo e volta a prende-los. Novamente à bolsa; procura um espelho. Acha. Confere a maquiagem - um lado e outro - certifica-se do batom persistindo nos lábios. Ainda na bolsa, depois de alguns zíperes, não resiste: pega o celular - checa as mensagens - tenta uma, duas, três ligações... Então, vem um suspiro, um silêncio largo...sem movimentos. Respira fundo. Fecha a bolsa. Regressa aos cabelos...

Era uma esfera, inicio de primavera. O inverno ainda se despedia, com o vento que soprava; as auroras se despiam; foram momentos de encontros com as sombras das nuvens que passavam; raios de luz penetravam o solo; metódica foi a criação. E a nós, o que restou...?Exaurimos de certo modo; pessoas dizem possuir muitos bens, e seus pais sequer foram avisados. Ó massa ignara que trás dolência(...!) 

Liberdade assistida

  A tia exibida do meu amigo João, disse que antes, tudo era bom! Ela tinha uma viril empregada chamada Maria, filha de dona Jandira, dom...